O que é carimbó? Uma dança e um gênero musical do Pará, nascido nas comunidades do litoral e do nordeste do estado. É tocado com tambores de tronco escavado, os curimbós, acompanhados de maracas, banjo e flauta, e dançado em roda, com as mulheres de saia rodada e os pares se aproximando e se afastando. Em 2014, o Iphan reconheceu o carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Este artigo responde às perguntas mais comuns sobre o carimbó: o que é, de onde veio, como se dança, o que muda entre o estilo tradicional e o moderno e onde ver ao vivo. Se você quiser conhecer os artistas que fizeram essa história, leia também Os mestres do carimbó e 7 cantoras paraenses.
O que é carimbó?
Carimbó é, ao mesmo tempo, o ritmo, a música e a dança. O nome vem do tambor: curimbó, palavra de origem tupi que designa o instrumento feito de um tronco oco coberto com couro, tocado com as mãos por um músico sentado sobre ele. Com o tempo, o nome do tambor passou a nomear a festa inteira.
A batida é marcada, repetitiva e convida ao movimento. As letras falam do cotidiano de quem vive perto do rio e do mar: a pesca, a roça, os bichos, os amores, as festas de santo. É por isso que o carimbó é descrito como a alma da cultura popular paraense: ele conta, dançando, a vida de quem o criou.
De onde vem o carimbó: origem e influências
O carimbó nasceu do encontro de três matrizes culturais na Amazônia colonial, e cada uma deixou uma marca reconhecível até hoje.
Origem indígena
Dos povos indígenas vieram a dança em formato de roda e instrumentos de percussão como as maracas, segundo os estudos reunidos no dossiê do Iphan. O próprio nome do ritmo, como vimos, é uma palavra indígena. E o repertório tradicional guarda danças que encenam animais, como a “Pomba com o Gavião” e o “Peru do Atalaia”.
Influência africana
Os africanos escravizados trouxeram a percussão que dá ao carimbó a sua pulsação característica, os tambores tocados em conjunto e a dança de quadril solto e pés rasteiros. A estrutura de pergunta e resposta entre cantor e coro, comum em várias tradições afro-brasileiras, também aparece no carimbó.
Herança europeia
Dos portugueses vieram instrumentos de corda e sopro: a flauta, que segue nas rodas, e a rabeca e a viola, hoje fora das formações, além de elementos das danças de salão, adaptados ao contexto local: os pares, a reverência, a coreografia em que os dançarinos se cruzam e trocam de lugar.
Como é a dança do carimbó
O carimbó tradicional é dançado em roda, com homens e mulheres formando pares. A mulher usa saia longa e rodada, geralmente estampada com flores em cores fortes, e a movimenta o tempo todo; o homem dança com calça comprida e camisa estampada — em algumas localidades de paletó, em outras com a calça arregaçada, ao estilo “calça de pescador”. Os passos são rasteiros e giram em torno do flerte: os pares se aproximam, se afastam, rodopiam.
Um dos momentos mais conhecidos aparece na Dança do Peru, em versões como a de Belém: a dançarina desafia o par a apanhar com a boca um lenço no chão, de pernas afastadas e braços para trás, sem usar as mãos. Quem consegue é ovacionado; quem não consegue deixa a roda entre vaias.
Carimbó tradicional e carimbó moderno
O carimbó tradicional, também chamado de carimbó de raiz ou pau e corda, mantém a formação acústica: curimbós, maracas, banjo, flauta e, às vezes, saxofone. É o estilo dos mestres das comunidades de Marapanim, Santarém Novo, Maracanã e de outras cidades do Salgado paraense, transmitido de geração em geração.
O carimbó moderno, ou estilizado, ganhou força a partir dos anos 1970, quando artistas levaram o ritmo para os palcos e para o rádio com guitarra, baixo e bateria, aproximando-o da lambada e de outros gêneros dançantes. Nomes como Pinduca ajudaram a popularizar o carimbó fora do Pará, enquanto mestres como Verequete defenderam a forma tradicional. Hoje as duas vertentes convivem, e artistas contemporâneos misturam o carimbó com rock, música eletrônica e MPB.
Carimbó é Patrimônio Cultural do Brasil
Em setembro de 2014, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou o carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, na categoria de formas de expressão. O registro reconhece o ritmo como bem cultural do país e obriga o poder público a apoiar a sua salvaguarda: as rodas comunitárias, os mestres, a confecção dos instrumentos e a transmissão aos mais jovens.
O reconhecimento veio depois de uma campanha de anos liderada pelos próprios grupos de carimbó do Pará, que pediam proteção para uma tradição mantida pelos próprios grupos, quase sempre sem incentivo público ou patrocínio regular.
Onde ver carimbó ao vivo: festivais e festas
O carimbó está presente em festas de santo, arraiais e apresentações em Belém e no interior do Pará durante o ano inteiro. Dois eventos concentram visitantes:
- Festival do Sairé, em Alter do Chão (Santarém), em setembro: festa religiosa e cultural com procissões, ritos tradicionais e a disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa. É o maior evento do calendário da região de Santarém, e o carimbó entra pela mão dos mestres da vila: o Coletivo Mestres de Alter e as Sereias está na programação oficial de 2026, no Palco Lago dos Botos. Saiba mais sobre a história do Sairé.
- Festival do Carimbó de Marapanim, no município que o governo do Pará aponta como berço do carimbó no estado, com apresentações de grupos tradicionais e estilizados. Perfil do festival no Instagram.
Santarém, no Baixo Amazonas, tem grupos de carimbó em atividade documentados no dossiê do Iphan. É a mesma região onde a ONG Zoé faz suas expedições de saúde.
O carimbó e as novas gerações
Associações culturais e grupos de carimbó mantêm oficinas de dança, percussão e canto para crianças e jovens, e desses espaços saem os grupos mirins que dão continuidade à tradição. O dossiê do Iphan recomenda apoiar essas iniciativas, ainda pontuais e dependentes de incentivo, como parte da salvaguarda do bem.
Perguntas frequentes sobre o carimbó
O que é carimbó?
Carimbó é uma dança e um gênero musical tradicional do Pará, tocado com tambores de tronco (curimbós), maracas, banjo e flauta, e dançado em roda, em pares. É Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2014.
O carimbó é de qual região?
Da região Norte do Brasil, no estado do Pará. As cidades mais ligadas ao ritmo ficam no litoral e no nordeste paraense, como Marapanim, Santarém Novo e Maracanã, além de Belém e da região de Santarém.
De onde vem o nome carimbó?
Do tambor curimbó, palavra de origem tupi que designa o instrumento feito de tronco escavado e coberto com couro. O nome do tambor passou a nomear o ritmo e a dança.
Quais são os instrumentos do carimbó?
No carimbó tradicional: curimbós (tambores), maracas, milheiro, banjo e instrumentos de sopro, como flauta, clarineta e saxofone. No carimbó moderno entram guitarra, baixo e bateria.
Quais são as características da dança do carimbó?
Dança em roda e em pares, com passos rasteiros, giros e a saia rodada da mulher em movimento constante. Um passo famoso, da Dança do Peru em versões como a de Belém, é o do lenço: a dançarina desafia o par a apanhar com a boca um lenço no chão, sem usar as mãos.
Quando o carimbó virou patrimônio?
Em setembro de 2014, quando o Iphan registrou o carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, na categoria formas de expressão.
Onde o carimbó é dançado, e o que a Zoé faz por lá
Marapanim, no nordeste do Pará, é apontado pela Secretaria de Estado de Turismo como um dos primeiros berços do carimbó, ao lado de Vigia e Salinópolis, e a Zoé não atua lá. Mas o ritmo não ficou no litoral: os grupos de Santarém, no Baixo Amazonas, estão na mesma região onde a ONG Zoé trabalha. A base fica em Belterra, a 45 km de Santarém, às margens do Tapajós, onde em 2021 a Zoé reativou o centro cirúrgico do Hospital Municipal Dr. Ivaldo Moraes. De lá saem expedições que atendem comunidades ribeirinhas e indígenas do Tapajós. No conjunto do trabalho da organização, e não só nessa região, eram 53 expedições e 30.197 atendimentos até 8 de setembro de 2026, feitos por profissionais de saúde que doam o próprio tempo.
Se este texto te aproximou do Pará, você pode ajudar quem vive lá: doe para a Zoé, por PIX ou cartão, uma vez ou todo mês. Se você é profissional de saúde, veja como ser voluntário em uma expedição.