Boas Notícias da semana, 18/09/2026

Brasileira premiada no BRICS, o primeiro felino novo em 100 anos, Butão livre da raiva canina, novo remédio contra enxaqueca e a polilaminina chegando aos pacientes. Com todas as fontes.
Renata
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Menina sorrindo em um campo de girassóis, capa das boas notícias da semana de 18 de setembro de 2026
Boas Notícias da semana, 18/09/2026

Tem coisa boa acontecendo. Quase nada disso chega até você.

Esta semana: um projeto brasileiro premiado na Índia, o primeiro felino novo em mais de 100 anos, um país livre da raiva transmitida por cães, um novo remédio contra enxaqueca e a pesquisa brasileira de lesão medular chegando aos pacientes.

Estas são as boas notícias da semana, e cada uma vem com a fonte original linkada. Confira e compartilhe.

Brasileira vence prêmio do BRICS com projeto que já serviu 9 milhões de refeições

Úrsula Corona, fundadora do Instituto Fome de Tudo

O Instituto Fome de Tudo, criado pela atriz, apresentadora e empreendedora social Úrsula Corona, venceu o prêmio da Aliança de Negócios de Mulheres do BRICS (BRICS WBA) de 2026 na categoria Agricultura e Segurança Alimentar. O prêmio foi entregue na quarta-feira, 16 de setembro, durante o Women-Led Development Summit 2026, em Nova Délhi — a Índia preside o BRICS neste ano e sediou a 18ª Cúpula do bloco.

Fundado em 2020, o projeto ataca dois problemas ao mesmo tempo: a fome e o desperdício de alimentos. A operação usa tecnologia para conectar produtores, empresas e supermercados que têm excedente de comida a escolas, hospitais, instituições e comunidades que precisam desses alimentos. Em vez de virar lixo, o excedente vira refeição.

Os números explicam o prêmio. Desde a criação, o instituto já beneficiou cerca de 300 mil pessoas e contribuiu para a distribuição de 9 milhões de refeições, movimentando aproximadamente 500 toneladas de alimentos por mês. O trabalho inclui parceria com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), agência da ONU.

É o tipo de solução que a gente admira: não depende de produzir mais comida, e sim de fazer chegar aonde precisa a comida que já existe.

Fontes: BRICS Women’s Business Alliance · Correio Braziliense

Cientistas descrevem nos Andes o primeiro felino novo em mais de 100 anos

Leopardus tilcayo, novo felino descrito nos Andes bolivianos

Um gato selvagem menor que um gato doméstico acaba de entrar para os livros de ciência. O Leopardus tilcayo foi formalmente descrito em estudo publicado na revista Current Biology e é a primeira espécie viva da família dos felinos a ser identificada em mais de um século.

O animal vive nas florestas de neblina dos Yungas, na encosta leste dos Andes bolivianos. Tem cerca de 46 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente 1,4 quilo. Diferencia-se do gato-do-mato comum pelas manchas maiores, pela cauda mais longa e esguia e pela pelagem de tom mais suave.

A história começou em 2016. A bióloga Paola Nogales-Ascarrunz, exploradora da National Geographic, foi chamada por um santuário local para ver um gato que não batia com nenhuma descrição conhecida.

A confirmação veio da genética. Junto com o biólogo evolutivo Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, a equipe analisou o DNA de 38 felinos de vários países da América do Sul, incluindo oito espécimes de museu. O que se tratava como um único grupo são, na verdade, cinco espécies distintas — e a linhagem do tilcayo se separou das demais há cerca de 1,4 milhão de anos.

A descoberta vem com um alerta: ainda não se sabe quantos indivíduos existem, e o habitat sofre com desmatamento, expansão agrícola, queimadas e mineração.

Fontes: The Washington Post · CNN · Al Jazeera

Butão se torna o segundo país do mundo a eliminar a raiva transmitida por cães

Monge budista com um cachorro no Butão

A Organização Mundial da Saúde reconheceu, em 8 de setembro, que o Butão eliminou a raiva humana transmitida por cães como problema de saúde pública. É o segundo país do mundo a chegar lá — o primeiro foi o México — e o primeiro da Região do Sudeste Asiático da OMS.

O dado importa porque a raiva é uma das doenças mais letais que existem: uma vez que os sintomas aparecem, é quase invariavelmente fatal. E a imensa maioria dos casos humanos no mundo vem de mordida de cão. Eliminar essa via de transmissão significa, na prática, campanhas massivas de vacinação canina sustentadas por anos, vigilância constante e acesso rápido a profilaxia depois da exposição.

No mesmo anúncio, a OMS reconheceu outras conquistas da região. O Timor-Leste recebeu a validação pela eliminação do tracoma — com isso, toda a região atingiu a meta global para a doença. A Tailândia teve verificada a eliminação da rubéola, tornando-se o sétimo país da região a alcançar esse resultado.

São vitórias de saúde pública construídas devagar, longe dos holofotes, e que poupam vidas por décadas.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

Anvisa aprova comprimido diário que previne crises de enxaqueca

Mulher com a mão na testa durante uma crise de enxaqueca

A Anvisa aprovou, em 8 de setembro, o registro de um novo medicamento oral para a prevenção da enxaqueca. A substância ativa é o atogepanto, e a aprovação foi formalizada pela Resolução 3.458/2026, publicada no Diário Oficial da União.

A indicação é preventiva e vale para adultos que têm pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês, tanto na forma episódica quanto na crônica. A diferença em relação aos analgésicos comuns é o momento da ação: em vez de agir depois que a dor começou, o medicamento bloqueia uma via envolvida na transmissão da dor e na origem da crise, reduzindo a frequência dos episódios.

Nos estudos que embasaram o registro, o tratamento com 60 mg por dia produziu uma redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo que recebeu placebo. Entre os participantes, 59% tiveram redução de pelo menos metade na frequência das crises, contra 29% no placebo.

Um ponto importante para quem convive com a doença: o registro na Anvisa autoriza a venda no Brasil, mas não significa oferta pelo SUS. A incorporação depende de avaliação da Conitec, e até 10 de setembro não havia registro público de pedido. Converse com seu neurologista antes de qualquer decisão — este texto é informativo e não substitui orientação médica.

Fonte: Anvisa

Lembra da polilaminina? Ela começa a ser testada em pacientes neste mês

Pesquisadora em laboratório durante estudo sobre lesão medular

Já falamos por aqui da polilaminina, e agora ela dá o passo mais importante da sua história: no dia 24 de setembro começa o primeiro ensaio clínico em seres humanos.

A substância foi descoberta pela professora e pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio, que investiga seu potencial há mais de 20 anos. Ela é derivada da laminina, uma proteína que existe naturalmente no corpo e é essencial para o crescimento dos axônios — os prolongamentos dos neurônios que transmitem sinais. A hipótese é que a polilaminina ajude a restabelecer conexões nervosas interrompidas por uma lesão na medula.

O estudo de fase 1 foi autorizado pela Anvisa em janeiro de 2026 e será conduzido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com o laboratório Cristália. Serão cinco voluntários, de 18 a 72 anos.

Vale dizer com clareza o que essa fase significa, porque é fácil se empolgar: o objetivo da fase 1 é avaliar segurança, não comprovar eficácia. Os relatos anteriores de recuperação de movimentos vieram de uso compassivo — situações individuais, fora de um estudo controlado. É justamente para transformar essas observações em evidência que o ensaio está começando. A esperança é legítima; a comprovação ainda está em construção, e vai levar anos.

Fontes: UFRJ · Forbes Brasil · Agência Brasil

Espalhe o que é bom

Toda semana reunimos aqui as boas notícias da semana que quase não aparecem — sempre com a fonte original linkada, para você verificar antes de compartilhar.

Se alguma dessas melhorou o seu dia, manda para alguém.

A ONG Zoé leva saúde a comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia, com o apoio de voluntários de várias especialidades. Conheça nosso trabalho e acompanhe a gente no @ongzoe.oficial.

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