Tem coisa boa acontecendo. Quase nada disso chega até você.
Esta semana: um projeto brasileiro premiado na Índia, o primeiro felino novo em mais de 100 anos, um país livre da raiva transmitida por cães, um novo remédio contra enxaqueca e a pesquisa brasileira de lesão medular chegando aos pacientes.
Estas são as boas notícias da semana, e cada uma vem com a fonte original linkada. Confira e compartilhe.
Brasileira vence prêmio do BRICS com projeto que já serviu 9 milhões de refeições

O Instituto Fome de Tudo, criado pela atriz, apresentadora e empreendedora social Úrsula Corona, venceu o prêmio da Aliança de Negócios de Mulheres do BRICS (BRICS WBA) de 2026 na categoria Agricultura e Segurança Alimentar. O prêmio foi entregue na quarta-feira, 16 de setembro, durante o Women-Led Development Summit 2026, em Nova Délhi — a Índia preside o BRICS neste ano e sediou a 18ª Cúpula do bloco.
Fundado em 2020, o projeto ataca dois problemas ao mesmo tempo: a fome e o desperdício de alimentos. A operação usa tecnologia para conectar produtores, empresas e supermercados que têm excedente de comida a escolas, hospitais, instituições e comunidades que precisam desses alimentos. Em vez de virar lixo, o excedente vira refeição.
Os números explicam o prêmio. Desde a criação, o instituto já beneficiou cerca de 300 mil pessoas e contribuiu para a distribuição de 9 milhões de refeições, movimentando aproximadamente 500 toneladas de alimentos por mês. O trabalho inclui parceria com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), agência da ONU.
É o tipo de solução que a gente admira: não depende de produzir mais comida, e sim de fazer chegar aonde precisa a comida que já existe.
Fontes: BRICS Women’s Business Alliance · Correio Braziliense
Cientistas descrevem nos Andes o primeiro felino novo em mais de 100 anos

Um gato selvagem menor que um gato doméstico acaba de entrar para os livros de ciência. O Leopardus tilcayo foi formalmente descrito em estudo publicado na revista Current Biology e é a primeira espécie viva da família dos felinos a ser identificada em mais de um século.
O animal vive nas florestas de neblina dos Yungas, na encosta leste dos Andes bolivianos. Tem cerca de 46 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente 1,4 quilo. Diferencia-se do gato-do-mato comum pelas manchas maiores, pela cauda mais longa e esguia e pela pelagem de tom mais suave.
A história começou em 2016. A bióloga Paola Nogales-Ascarrunz, exploradora da National Geographic, foi chamada por um santuário local para ver um gato que não batia com nenhuma descrição conhecida.
A confirmação veio da genética. Junto com o biólogo evolutivo Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, a equipe analisou o DNA de 38 felinos de vários países da América do Sul, incluindo oito espécimes de museu. O que se tratava como um único grupo são, na verdade, cinco espécies distintas — e a linhagem do tilcayo se separou das demais há cerca de 1,4 milhão de anos.
A descoberta vem com um alerta: ainda não se sabe quantos indivíduos existem, e o habitat sofre com desmatamento, expansão agrícola, queimadas e mineração.
Fontes: The Washington Post · CNN · Al Jazeera
Butão se torna o segundo país do mundo a eliminar a raiva transmitida por cães

A Organização Mundial da Saúde reconheceu, em 8 de setembro, que o Butão eliminou a raiva humana transmitida por cães como problema de saúde pública. É o segundo país do mundo a chegar lá — o primeiro foi o México — e o primeiro da Região do Sudeste Asiático da OMS.
O dado importa porque a raiva é uma das doenças mais letais que existem: uma vez que os sintomas aparecem, é quase invariavelmente fatal. E a imensa maioria dos casos humanos no mundo vem de mordida de cão. Eliminar essa via de transmissão significa, na prática, campanhas massivas de vacinação canina sustentadas por anos, vigilância constante e acesso rápido a profilaxia depois da exposição.
No mesmo anúncio, a OMS reconheceu outras conquistas da região. O Timor-Leste recebeu a validação pela eliminação do tracoma — com isso, toda a região atingiu a meta global para a doença. A Tailândia teve verificada a eliminação da rubéola, tornando-se o sétimo país da região a alcançar esse resultado.
São vitórias de saúde pública construídas devagar, longe dos holofotes, e que poupam vidas por décadas.
Fonte: Organização Mundial da Saúde
Anvisa aprova comprimido diário que previne crises de enxaqueca

A Anvisa aprovou, em 8 de setembro, o registro de um novo medicamento oral para a prevenção da enxaqueca. A substância ativa é o atogepanto, e a aprovação foi formalizada pela Resolução 3.458/2026, publicada no Diário Oficial da União.
A indicação é preventiva e vale para adultos que têm pelo menos quatro episódios de enxaqueca por mês, tanto na forma episódica quanto na crônica. A diferença em relação aos analgésicos comuns é o momento da ação: em vez de agir depois que a dor começou, o medicamento bloqueia uma via envolvida na transmissão da dor e na origem da crise, reduzindo a frequência dos episódios.
Nos estudos que embasaram o registro, o tratamento com 60 mg por dia produziu uma redução média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo que recebeu placebo. Entre os participantes, 59% tiveram redução de pelo menos metade na frequência das crises, contra 29% no placebo.
Um ponto importante para quem convive com a doença: o registro na Anvisa autoriza a venda no Brasil, mas não significa oferta pelo SUS. A incorporação depende de avaliação da Conitec, e até 10 de setembro não havia registro público de pedido. Converse com seu neurologista antes de qualquer decisão — este texto é informativo e não substitui orientação médica.
Fonte: Anvisa
Lembra da polilaminina? Ela começa a ser testada em pacientes neste mês

Já falamos por aqui da polilaminina, e agora ela dá o passo mais importante da sua história: no dia 24 de setembro começa o primeiro ensaio clínico em seres humanos.
A substância foi descoberta pela professora e pesquisadora da UFRJ Tatiana Sampaio, que investiga seu potencial há mais de 20 anos. Ela é derivada da laminina, uma proteína que existe naturalmente no corpo e é essencial para o crescimento dos axônios — os prolongamentos dos neurônios que transmitem sinais. A hipótese é que a polilaminina ajude a restabelecer conexões nervosas interrompidas por uma lesão na medula.
O estudo de fase 1 foi autorizado pela Anvisa em janeiro de 2026 e será conduzido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com o laboratório Cristália. Serão cinco voluntários, de 18 a 72 anos.
Vale dizer com clareza o que essa fase significa, porque é fácil se empolgar: o objetivo da fase 1 é avaliar segurança, não comprovar eficácia. Os relatos anteriores de recuperação de movimentos vieram de uso compassivo — situações individuais, fora de um estudo controlado. É justamente para transformar essas observações em evidência que o ensaio está começando. A esperança é legítima; a comprovação ainda está em construção, e vai levar anos.
Fontes: UFRJ · Forbes Brasil · Agência Brasil
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A ONG Zoé leva saúde a comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia, com o apoio de voluntários de várias especialidades. Conheça nosso trabalho e acompanhe a gente no @ongzoe.oficial.