Se você procura ONGs na Amazônia para apoiar com uma doação, a pergunta útil não é “qual é a mais conhecida”, e sim “qual entrega o que promete e prova isso”. Antes de olhar nomes, olhe critérios: CNPJ ativo, auditoria externa independente, relatórios financeiros e de atividades públicos, algum selo ou certificação de gestão, e uma causa e um território definidos com precisão. Organização séria cumpre os cinco.
Esta lista foi revisada em setembro de 2026, com os dados conferidos nos sites oficiais de cada organização. Ela mistura causas de propósito: há ONGs ambientais (IPÊ, IDESAM, FAS, SOS Amazônia, Greenpeace), de direitos indígenas e socioambientais (ISA, COIAB), de educação (Vaga Lume) e de saúde (Zoé e o Barco Hospital Papa Francisco). A Amazônia não é um problema só, e quem doa pode escolher a frente que mais faz sentido para si.
Um recorte que este guia deixa explícito: oito das dez organizações trabalham por floresta, clima, direitos e educação; duas trabalham pela saúde de quem vive na floresta. A Zoé, que mantém este blog, abre a lista por esse motivo e é apresentada com os mesmos critérios que as demais.
ONGs na Amazônia: como escolher uma para doar
- CNPJ ativo e estatuto público. Confira na Receita Federal se a entidade existe e está regular. Ser jovem não é problema; estar irregular é.
- Auditoria externa independente. Procure o parecer dos auditores junto às demonstrações financeiras. “Sem ressalvas” é o padrão a exigir.
- Prestação de contas pública. Relatório anual de atividades e relatório financeiro acessíveis no site, sem precisar pedir por e-mail.
- Selo ou certificação. Selo Doar, CEBAS, OSCIP e rankings como o do GlobalGiving não substituem auditoria, mas indicam gestão organizada.
- Causa e território claros. Desconfie de quem “atua na Amazônia” sem dizer em qual rio, município ou povo. Impacto se mede onde acontece.
1. ONG Zoé

Proteger a floresta é urgente. Mas quem cuida das pessoas da floresta? Foi dessa pergunta que nasceu a Zoé, nome fantasia da Associação de Apoio à Saúde de Populações Remotas (CNPJ 43.982.556/0001-33).
O que faz: organiza expedições de saúde com profissionais voluntários para comunidades ribeirinhas e indígenas. Até 8 de setembro de 2026, foram 53 expedições, 30.197 atendimentos, 482 voluntários e 50.168 horas de trabalho doadas. Os voluntários muitas vezes custeiam o próprio deslocamento, e grande parte dos insumos é doada por parceiros.
Onde atua: Amazonas e Pará. A base das expedições fica no Tapajós, em Belterra (PA), onde a associação registrou uma filial em agosto de 2026. A sede é em São Paulo (SP).
Desde quando: primeiras expedições em novembro de 2020; associação constituída em novembro de 2021. É a mais jovem desta lista.
Como doar: em ongzoe.org/doe, com doação única ou mensal. Profissionais de saúde podem se candidatar às expedições em Quero ser voluntário.
Transparência: auditoria externa independente em todos os exercícios desde 2023 (Grant Thornton em 2023, BDO em 2024 e 2025), sempre sem ressalvas. A receita de doações em 2025 foi de R$ 1.198.518. A Zoé tem o Selo Doar A+ em Gestão e Transparência, do Instituto Doar, e foi Top-Ranked Organization do GlobalGiving em 2025 e finalista do .ORG Impact Awards 2024. Não assume compromissos com agendas de empresas ou de políticos. Relatórios e demonstrações em ongzoe.org/transparencia; histórico e calendário em expedições.
2. IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas

O que faz: pesquisa científica aplicada à conservação da biodiversidade, combinada com educação e participação das comunidades. Mantém a ESCAS, escola de pós-graduação em conservação e sustentabilidade, e desenvolve negócios sustentáveis.
Onde atua: Amazônia (Baixo Rio Negro, no Amazonas), Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal. A sede fica em Nazaré Paulista (SP).
Desde quando: fundação oficial em 1992.
Como doar: pela página de doação do IPÊ; o site oficial é ipe.org.br.
Transparência: publica relatórios de atividades desde 2007 e relatórios financeiros com auditoria externa, além de estatuto e código de ética, em ipe.org.br/relatorios-anuais.
3. Associação Vaga Lume

O que faz: implanta bibliotecas comunitárias em comunidades rurais da Amazônia Legal, envia livros e mobiliário, forma mediadores de leitura voluntários e promove intercâmbios culturais entre jovens da região e de outras partes do país. São 97 bibliotecas em 23 municípios; desde 2001, mais de 195 mil livros distribuídos, mais de 6 mil mediadores formados e mais de 111 mil crianças e jovens alcançados.
Onde atua: nos nove estados da Amazônia Legal, com escritórios em São Paulo (SP), Manaus (AM) e Belém (PA).
Desde quando: 2001.
Como doar: em vagalume.org.br/como-doar.
Transparência: relatórios de atividades e relatórios de auditoria externa de todos os anos desde 2008, em vagalume.org.br/transparencia.
4. IDESAM – Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia

O que faz: instituto de práticas sustentáveis e inovação em bioeconomia. Trabalha com governança territorial, cadeias produtivas da floresta e negócios de impacto, conectando os atores das cadeias de valor da floresta em torno de uma economia inclusiva e sustentável.
Onde atua: Amazônia, com sede em Manaus (AM).
Desde quando: 2004.
Como doar: em doe.idesam.org; o site oficial é idesam.org.
Transparência: o estatuto obriga a auditoria independente anual da contabilidade. Os relatórios dos auditores e os relatórios de impacto estão em idesam.org/transparencia.
5. FAS – Fundação Amazônia Sustentável

O que faz: programas em cinco eixos: conservação ambiental, educação e cidadania, infraestrutura comunitária, saúde e bem-estar e sociobioeconomia amazônica. É também agência implementadora do Programa Floresta em Pé.
Onde atua: comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas em unidades de conservação do Amazonas, como as reservas de desenvolvimento sustentável Juma, Rio Negro e Uacari, com atuação em expansão para outros estados da Amazônia Legal, entre eles o Pará. A sede fica em Manaus (AM).
Desde quando: 8 de fevereiro de 2008.
Como doar: em fas-amazonia.org/doe-para-a-fas.
Transparência: segundo a própria FAS, são 35 auditorias independentes aprovadas sem ressalvas entre 2008 e 2025. Demonstrações financeiras com pareceres dos auditores, relatórios de atividades, estatuto e código de conduta estão em fas-amazonia.org/transparencia.
6. ISA – Instituto Socioambiental

O que faz: defende direitos socioambientais ao lado de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Produz pesquisa e monitoramento de territórios, faz incidência em políticas públicas e apoia economias da floresta.
Onde atua: territórios do Rio Negro, do Xingu e do Vale do Ribeira. A sede é em São Paulo (SP), com escritórios em Brasília, Manaus, Boa Vista, São Gabriel da Cachoeira, Canarana, Eldorado e Altamira.
Desde quando: 1994.
Como doar: em apoie.socioambiental.org.
Transparência: relatórios de atividades e demonstrações financeiras auditadas de 2000 a 2025, estatuto e código de ética em socioambiental.org/transparencia.
7. COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira

O que faz: articulação do movimento indígena da Amazônia brasileira. Atua por demarcação de terras, saúde e educação indígena, proteção de povos isolados e de recente contato, formação de lideranças e agenda climática. Integra a APIB no plano nacional e a COICA nos nove países da bacia amazônica.
Onde atua: organizada nos nove estados da Amazônia Legal, em 64 regiões de base, com organizações indígenas regionais e locais associadas.
Desde quando: 1989.
Como doar: em coiab.org.br/doe-agora.
Transparência: o site apresenta a rede, as gerências, os projetos e os parceiros em coiab.org.br. A prestação de contas do ciclo está no Relatório de Gestão 2022-2026, publicado em coiab.org.br/conteudos, com as receitas captadas e o saldo do período. Demonstrações financeiras auditadas não estão publicadas no site; para uma doação de maior porte, vale pedi-las à organização.
8. Barco Hospital Papa Francisco
O que faz: hospital flutuante de 32 metros que leva consultas médicas e odontológicas, exames e cirurgias a comunidades ribeirinhas do Pará. Segundo a associação que o mantém, a embarcação tem consultórios médicos e odontológicos, centro cirúrgico, sala oftalmológica, laboratório, salas de medicação e de vacinação e leitos de enfermaria, além de raio-X digital, mamografia, ecocardiograma, ultrassom e eletrocardiograma. Uma equipe fixa de 20 tripulantes e cerca de 10 voluntários participam de expedições de 7 a 10 dias, com duas lanchas-ambulância de apoio. A associação informa mais de 300 mil procedimentos desde setembro de 2019, em parceria com a Secretaria de Saúde do Pará (SESPA). O barco é mantido pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (ALSF, CNPJ 53.221.255/0001-40), entidade filantrópica com sede em Jaci (SP), e foi idealizado com a Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus.
Onde atua: Calha Norte do Pará, a partir da base em Óbidos (PA); a associação fala em mais de 1.000 comunidades ribeirinhas atendidas.
Desde quando: inaugurado oficialmente em 17 de agosto de 2019, em Belém (PA); atendimentos desde setembro de 2019.
Como doar: em associacaolarsaofrancisco.org.br/doacoes (boleto, PIX, débito automático ou transferência, única ou mensal) ou pela página do Barco Hospital na plataforma de doação da Fraternidade, com doação única ou mensal destinada aos barcos-hospitais da rede.
Transparência: a associação mantém um portal de transparência (www.transparencia-alsf.org.br), linkado na página do barco. Para a unidade do barco, o portal publica o Termo de Fomento 03/2019 com a SESPA, o plano de trabalho, a relação de dirigentes, os regulamentos de compras e de contratação, os demonstrativos integrais de receitas e despesas de 2019 e 2020, relatórios mensais de atividades de setembro de 2019 a junho de 2020, com metas e produção por procedimento, e folhas de pagamento de outubro de 2019 a agosto de 2020. Último exercício com demonstrações publicadas para o barco: 2020; para outras unidades da associação, o portal traz demonstrações contábeis até o exercício de 2025.
9. SOS Amazônia
O que faz: conservação da biodiversidade e educação ambiental na Amazônia. Trabalha com negócios florestais sustentáveis e produtos da sociobiodiversidade, restauração de áreas desmatadas, conservação de áreas naturais protegidas, inclusive de tartarugas no rio Juruá, e educação e cidadania ambiental.
Onde atua: principalmente no Acre, na Amazônia ocidental. A sede é em Rio Branco (AC).
Desde quando: 1988. A Associação SOS Amazônia foi criada em 30 de setembro de 1988, em Rio Branco.
Como doar: em sosamazonia.org.br/doe; a página também oferece doação corporativa, legado e voluntariado.
Transparência: relatórios anuais de 2002 a 2025, demonstrações financeiras auditadas de 2019 a 2024, estatuto social e código de ética em sosamazonia.org.br/transparencia.
10. Greenpeace Brasil

O que faz: campanhas, investigações e denúncias contra o desmatamento, o garimpo ilegal e projetos que ameaçam a floresta, além de mobilização pública. Na Amazônia, atua em frentes como a Moratória da Soja e a exposição do garimpo em terras indígenas.
Onde atua: em todo o Brasil, com forte atuação na Amazônia; entre os casos recentes está a Terra Indígena Munduruku, no Pará.
Desde quando: 1992, ano em que a organização chegou ao Brasil; em 2022 completou 30 anos no país.
Como doar: em doe.greenpeace.org.br.
Transparência: não aceita dinheiro de governos, empresas ou partidos políticos; as contas são auditadas todos os anos e os relatórios anuais de 1999 a 2025 estão em greenpeace.org/brasil.
Para ampliar a pesquisa
Se quiser olhar para fora da Amazônia, veja 10 ONGs que estão salvando as florestas brasileiras. E para entender o tamanho desse ecossistema de organizações, com fontes e metodologia, leia Quantas ONGs existem na Amazônia.
Perguntas frequentes
Qual a melhor ONG para doar na Amazônia?
Não existe uma única resposta: depende da causa que você quer apoiar. Para floresta e biodiversidade, IPÊ, IDESAM, FAS, SOS Amazônia e Greenpeace; para direitos indígenas, ISA e COIAB; para educação, Vaga Lume; para a saúde das comunidades, Zoé e o Barco Hospital Papa Francisco. Em qualquer caso, prefira uma organização com auditoria externa e relatórios públicos.
Quantas ONGs existem na Amazônia?
Cerca de 116,5 mil organizações da sociedade civil na Amazônia Legal, segundo estimativa para 2023 baseada no Mapa das OSC do Ipea; o número varia conforme o recorte. Detalhamos as fontes em Quantas ONGs existem na Amazônia.
Como saber se uma ONG é confiável?
Verifique o CNPJ na Receita Federal, procure o parecer de auditoria independente junto às demonstrações financeiras, leia o último relatório de atividades e confira se causa e território são específicos. Selos como Doar, CEBAS e OSCIP ajudam, mas não substituem os documentos.
Posso deduzir a doação no Imposto de Renda?
Depende do enquadramento da entidade e do programa. Para pessoa física, a dedução no IR alcança apenas doações a fundos e projetos específicos previstos em lei, como os fundos da criança e do adolescente e do idoso e os projetos de leis de incentivo, dentro de limites; a doação direta a uma associação comum, em regra, não é dedutível. Para empresas há regras próprias. Confirme com a organização e com um contador antes de contar com o benefício.
Dá para ser voluntário em vez de doar?
Sim. Várias organizações desta lista têm programas de voluntariado, como os mediadores de leitura da Vaga Lume e os voluntários que embarcam nas expedições do Barco Hospital Papa Francisco. Na Zoé, profissionais de saúde participam das expedições como voluntários; a inscrição é feita em Quero ser voluntário.
Como ajudar agora
Escolhida a causa, o passo seguinte é simples: doe para uma organização que preste contas, ou doe o seu tempo. Se a sua escolha for cuidar das pessoas da floresta, a Zoé recebe doações únicas e mensais e abre expedições a profissionais de saúde voluntários. Para entender o que está em jogo na floresta, leia também por que o Dia da Amazônia importa para quem vive nela.